[PODCAST] #009 – BORDA, PENSA E SONHA – MUDANÇA

Nono episódio da primeira temporada do Borda, pensa e sonha, o podcast para quem trabalha com as mãos, sem deixar de lado a mente e coração.

Hoje, dia 05 de julho, minha empresa comemora 2 anos. Diante do amadurecimento meu e de meu trabalho, senti a necessidade de mudar. Mas mudar dói!!! Vem conferir uma reflexão sobre mudança.

Indicação de conteúdo:

Workshop Bordado para Iniciantes: http://www.catelinipadilha.com.br

Dia de Reis e a tradição continua

Amanhã, dia 06 de janeiro, comemora-se o Dia de Reis.

No alvoroço do fim de ano, entre compras de presentes, comilanças de ceias, selfies na praia e bebelanças exageradas, os verdadeiros motivos pelos quais se comemora o Natal acabam muitas vezes se perdendo. Imagine só, uma tradição tão singela como os Ternos de Reis.

Em um tempo antigo, onde a simplicidade do meio rural era a regra e não a exceção, o dia 06 de janeiro findava o Ciclo Natalino. Entre cantigas poéticas e música característica, criava-se a expectativa desejada da visita de uns “cantadô”, que traziam a simbologia da bênção para o início de um ano novo.

Segundo obra de Paixão Côrtes, sobre a qual falei no post Dia de Reis, é dia de presentear, o dia de troca de presentes nas comemorações natalinas nos primórdios da vida social no Rio Grande do Sul, era no Dia de Reis {o que faz mais sentido – na minha opinião – uma vez que remete a simbologia de quem levou ao Menino Jesus mirra, ouro e incenso}.

Trazendo novamente essas referências, nunca esquecendo minhas origens rurais {das quais me orgulho muito <3}, achei uma maneira de, assim como no ano passado, passar a diante essa tradição {mesmo que de forma virtual}. Desejo retribuir com um presente as pessoas que acompanham meu trabalho com os pontinhos. E vou fazer isso através de um SORTEIO… Ueba!!!

Quer ganhar esse camafeu da foto? Participa do sorteio!!!

Para participar do sorteio, você deve:

  1. Curtir a página Um Pontinho no Facebook: clique aqui.
  2. Compartilhar em modo público a foto oficial do sorteio no Facebook: clique aqui.
  3. Enviar mensagem para o WhatsApp (54) 991178240 com seu nome completo e cidade com a mensagem EU QUERO O CAMAFEU CATE (ou para o email cate@umpontinho.com.br com seu nome completo / cidade / telefone de contato)
  4. Cruzar os dedos e torcer

ATENÇÃO: CADA PARTICIPANTE, APÓS FAZER AS ETAPAS ACIMA, RECEBERÁ UM NÚMERO PARA A PARTICIPAÇÃO NO SORTEIO.

CHANCE EM DOBRO PARA JÁ CLIENTES UM PONTINHO {SEGUIDAS AS REGRAS, RECEBE 2 NÚMEROS <3 }. 

O sorteio será realizado no dia 24/01/2018, na Oficina  de Bordado na Microempa e divulgado na Página do Facebook. Serão válidas participações até as 12h do dia 24/01.

E mais uma vez me despeço com gratidão pelo ano de 2017, que se findou com tantos desafios e oportunidades. Gratidão a cada um que acompanha meu trabalho e me encoraja para sempre continuar. Que todos tenhamos um 2018 cheio de boas energias, com as bênçãos do criador. Que possamos conquistar o mundo, sem nunca esquecermos de onde viemos.

“Eu festejo o Ano Novo

Com muita simplicidade

Deus do céu lhe dê saúde

E muita felicidade”

Se preferir, ouça esse post aqui.

Por que você comemora o Natal?

Por que você comemora o Natal? Uma pergunta simples, que até parece tola, mas pergunto isso a você para que não esqueça de que o Natal comemora a simplicidade, o amor e a esperança.

Não se deixe levar pela ilusão do consumo.

Acredite: o maior presente que você pode dar a quem você mais ama é estar presente.

Desejo que esteja com as pessoas que fazem sua vida valer a pena e que possa abraça-las com a certeza de que este momento significa muito para vocês.

Feliz Natal e muitos pontinhos pra gente.

Feliz Natal!!! ❤❤❤

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Se preferir, ouça esse post aqui.

Qual é o teu propósito?

Acordar cedo, entrar no chuveiro rapidamente, se maquiar ou arrumar o topete sem nem olhar no espelho, tomar um café correndo, deixar as crianças na escola, pegar um trânsito infernal, ler muitos emails, priorizar tarefas, almoçar o que for mais rápido, correr para resolver questões emergenciais até o final do expediente, pegar trânsito de novo, correr para não atrasar e pegar as crianças na escola, mais trânsito, mais compromissos domésticos, trabalho que você levou para casa, atenção aos pequenos / pet / companheiro, e {finalmente} descansar para no dia seguinte: COMEÇAR TUDO DE NOVO.

Se identificou com alguma coisa? Se enxergou fazendo diversas dessas ações sem nem parar para pensar? Pior que sim, né?

O dia-a-dia é tão corrido e fazemos tantas coisas ao mesmo tempo e de forma tão automática que quando a gente menos percebe as crianças já viraram adultos, os minutos se perderam nos anos e a gente foi se perdendo na correria.

Nesse sentido, o bordado me ajuda muito. O tempo que dedico a cada peça que confecciono serve como uma meditação, onde consigo colocar meus pensamentos em ordem e aquietar meu coração. Eu literalmente me dou um tempo. Aquele tempo em que cada pontinho se transforma em uma composição maior, me faz perceber que preciso conhecer o que faz o meu coração vibrar e no que desejo destinar mais de minha energia, para que a minha vida tenha propósito e valha a pena.

Aliás, falando em propósito, você me viu no Jornal Pioneiro, dia 14/08? Tive a honra de ilustrar uma matéria linda que falava sobre esse tema.

Para ler o caderno especial +Serra, edição 2, que traz essa reportagem, clica aqui.

Mas a verdade é que bordar me faz muito bem e me fez encontrar não somente um, mas diversos propósitos em minha vida.

Por uma gratidão imensa que tenho por essa técnica milenar, que desejo passar isso adiante, para que outras pessoas também tenham a oportunidade de usar o bordado como uma ferramenta de autoconhecimento e assim externar o que de mais nobre traz no coração.

Dessa forma, lhe convido a participar de uma Oficina Beneficente de Bordado, que realizarei aqui em Caxias do Sul, no dia 05 de Setembro.

Oficina de Bordado – Eu sou… A ideia é tirarmos um tempo para conversar, bordar e com isso usar o bordado como ferramenta de autoconhecimento. Pense em uma palavra que lhe define. Escreva ela como seu risco no tecido. Enquanto borda, use cada pontinho como a materialização de seus pensamentos e reflexões. O bordado traz um bem incrível a quem o pratica, ajudando no combate a ansiedade, até mesmo na depressão. Além disso, aprender alguns pontinhos pode lhe ajudar a fazer presentes personalizados, carregados de sentido para dar a quem você ama. Já pensou, dar um lindo presente e dizer: eu que fiz! Na ocasião teremos uma feira com produtos artesanais da TEIA – Rede de Trabalho Artesanal, Grupo Setorial da Microempa. O evento será beneficente. Inscrição: 5 litros de leite longa vida As doações serão destinadas a Associação Criança Feliz – Caxias do Sul Inscrições e + informações : 54 99117-8240 VAGAS LIMITADAS

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A minha proposta é você escolher uma palavra que te define, que tem a ver com o que você verdadeiramente é para você. Definida, esta palavra será parte do risco do bordado que você bordará no oficina. Assim, enquanto borda, terá um tempo para pensar se o que você vive diariamente tem de fato relação com o que você pensa sobre você.

Estou pedindo 5 litros de leite por participante como inscrição, para que possamos doar para a Associação Criança Feliz, que é uma entidade muito séria em nossa cidade e que faz um trabalho incrível.

Para se inscrever é só me ligar ou mandar um zapzap e a gente combina.

AS VAGAS SÃO LIMITADAS E JÁ TEMOS MUITOS INSCRITOS.

Crianças a partir de 6 anos podem participar. Homens e meninos também (o bordado é universal e sem preconceitos).

E então: vamos bordar?

Bordar: um ato revolucionário

“Em 24 de abril de 2013, 1.133 pessoas morreram quando o complexo de fábricas Rana Plaza desabou em Dhaka, Bangladesh. Muitos outros ficaram feridos. Hoje, catástrofes sociais e ambientais continuam acontecendo na indústria da moda, em vários lugares do mundo.
Assim foi criado o Fashion Revolution Day. O dia em que estilistas, celebridades, lojas e marcas de todos os tipos, produtores de algodão, operários, ativistas, ONGs, jornalistas – e qualquer pessoa que se preocupa com o que veste – se reúnem para dizer o mesmo: #quemfezminhasroupas” Esse texto vem de um post do da página no Facebook do Movimento Fashion Revolution Brasil

Esse movimento questiona: onde o consumismo vai nos levar?

Será que o mundo, o Planeta Terra, tem condições de produzir matéria-prima suficiente para atender essa demanda?

Será que o fato de querermos comprar cada vez mais coisas, de preferência bem baratas, não faze com que alguém em algum lugar do mundo pague com sua própria vida?

Você já havia parado para pensar nisso?

Na correria do dia-a-dia, no piloto-automático que nos deixamos entrar, fazemos muitas coisas sem questionar, sem analisar, fazemos porque tem que fazer, porque todo mundo faz. Mas você não é todo mundo, já dizia sua mãe. Pare agora e dá uma olhadinha da etiqueta de sua roupa: de onde ela vem? Possivelmente uma de suas peças de vestimenta tenha um “Made in um lugar distante”. Se tem demanda, alguém vai fazer… Nem que para isso custe vidas, situações degradantes, humilhantes, desumanas. O lucro por si só não se justifica. O lucro deve ser a consequência, não o objetivo final.

Diante desse cenário, desenhar seu próprio vestido, comprar um lindo tecido na loja tradicional da cidade e pedir para a costureira do bairro confecciona-lo pra você passa a ser um ato revolucionário: fomenta a criatividade, movimenta a economia local, valoriza as pessoas que estão perto de você e ainda faz com que {aos poucos} a demanda por peças de baixo custo caia. Gera lucro em diversas esferas. E lucro é bom, não o lucro a qualquer custo, mas o lucro saudável, o lucro construído, que traz junto ao dinheiro o lucro social, o lucro para mais do que uma só parte envolvida.

Bordar também pode ser um ato revolucionário quando você, ao abrir seu armário, encontra aquela camisa que comprou por impulso e nunca usou, faz um belo risco com flores e arabescos e resolve bordar com linhas e miçangas e dar a ela vida útil, sem você precisar novamente recorrer a promoções e fast fashion em tempos de pouca grana.

Para um ato revolucionário, convido você a uma {breve mas cheia de afeto} oficina gratuita de bordado que estarei ministrando, dentro da Semana Fashion Revolution aqui em Caxias do Sul/RS. Leva aquela roupa que você quer dar um up, aumentar a vida útil, começar a usa-la mesmo porque estava entrulhando seu armário ou quem sabe até fazer algo especial para presentear sua mãe {Dia das Mães está logo aí <3}. Vou ensinar 2 diferentes pontos que já lhe farão ter infinitas possibilidades de criação.

Vamos bordar?

 

Podemos bordar a gola de uma camisa, quem sabe? Uma calça jeans, uma blusa, um vestido?

Bom dia! 💛 💙 💜 💚 #umpontinho #dia60 #100diasdebordado #embroidery #bordado #serragaucha

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Oficina GRATUITA de Bordado

Dia 29/04/2017 às 16h

Local: Zero 54 – Rua Augusto Pestana, 154 – Caxias do Sul/RS

O material fica por sua conta, é necessário uma peça de roupa de preferência clara, (que será customizada durante a oficina), linha para bordado, agulha, tesoura e lápis.

Inscrições: clica aqui

VAGAS LIMITADAS

“Toda grande jornada começa com um pequeno passo”. Gosto tanto dessa frase. Vamos dar nosso primeiro passo?

Tradição e bordado

Eu bordo desde pequena. Minha mãe foi quem me ensinou. Não me lembro exatamente quando, nem como foi que aprendi, porque além de bordar, minha mãe me ensinou várias outras técnicas manuais. Mas foi o bordado que me desafiou, me fez querer saber mais, foi com ele que me identifiquei. E foi assim, meio sem querer querendo, que aprendi com minha mãe o que ela possivelmente aprendeu com a mãe dela, que por sua vez, minha avó materna também pode ter aprendido com alguém de sua convivência familiar. Isso é tradição: cultuar coisas boas do passado, sem regras institucionais, com adequações a cada ser, com adaptações dos tempos, passando de geração a geração.

Dos bordadinhos da infância, quando fazia meio que por brincadeira mesmo, até os tempos atuais, onde bordar se tornou um ofício para mim, tive a partir da infância uma vivência que reforçou ainda mais minha vontade de querer desenvolver essa habilidade: ingressar no meio tradicionalista do Rio Grande do Sul.

Nos anos 80, a convite de amigos, meu pai me inscreveu para começar a aprender as danças tradicionais do Rio Grande do Sul. Ensaiávamos em uma garagem {pequenina hoje, mas que na época parecia enorme}. Eu, sem saber exatamente o que aquilo significava {ou significaria} para mim, curtia mesmo eram as coreografias, os amigos, as  brincadeiras com tantas crianças diferentes. Em seguida, começaram as viagens a rodeios, aí todas as crianças queriam comprar o mesmo brinquedo, a gente gostava de ir nos parquinhos {com aqueles brinquedos enferrujados, mas tão “legais”} que todo rodeio tinha. Na hora de se arrumar para a apresentação, estávamos prontos, cumpríamos nosso dever, mas depois a gente queria era “zuar”. E assim, com o tempo, fui aprendendo que o mundo das tradições gaúchas era muito divertido, cheio de alegria e amizade, mas ao mesmo tempo fui compreendendo que cada coisa tinha um significado, um porquê, uma explicação.

Ainda pequena comecei a estudar para concursos de primeira prenda. Mais decorando informações  e conceitos do que propriamente compreendendo, percebi que aquilo me ajudava a ir bem na escola. Os assuntos que estudávamos nos encontros de prendas, eram as matérias que aprendia nas aulas da 4ª série {5º ano do ensino fundamental hoje – não sei se as matérias estudadas ainda são as mesmas}. Muitas vezes quando a professora explicava, eu já sabia todo o conteúdo por ter lido e relido sobre geografia, história e folclore do Rio Grande do Sul junto com outras prendas nos encontros preparatórios. A autoestima ficava lá em cima. Além de uma prova escrita,  para esse tipo de competição, era importante demonstrar habilidades artísticas {saber cantar, dançar, declamar tocar um instrumento – eu sempre dançava}, habilidades comportamentais {desenvoltura para falar em público, conversar com as pessoas, pensamentos coerentes – nos fazia treinar na frente do espelho} e também saber fazer alguma demonstração de “dotes domésticos” – não era esse o nome, mas na verdade compreendia algo assim do “universo feminino” #sqn {artesanato, culinária e mais alguma outra coisa que não lembro exatamente. Foi nesse momento que consegui reforçar ainda mais o quanto bordar me fazia bem e também impressionava as pessoas. Não somente pelo fato de uma criança fazer um trabalho “tão antigo”, mas também por começar a compreender que quanto mais eu fazia, melhor ia ficando.

 

  • Um de meus primeiros bordados – ainda na infância {a influência da cultura gaúcha, sempre me fez gostar de ilustrações, fotos e imagens de bonecas, mulheres, meninas com vestidos rodados}:

 

 

Com o passar do tempo, ainda no meio gauchesco, consegui encontrar sentido e significado em outras diversas vivências, mas certamente as da infância me marcaram de forma tão positiva que me fazem ter a certeza de que se hoje faço do bordado um trabalho tão cheio de amor, de dedicação e de propósito, sendo uma de minhas fontes de renda, foi com o reforço e estímulo que encontrei dentro de um CTG {Centro de Tradições Gaúchas}.

 

  • Um de meus mais recentes bordados – faixa com monograma, do trajar tradicional masculino :

 

Perceba que de tantas coisas que relato a respeito desse pequeno pedaço de  minha experiência no meio tradicionalista gaúcho, e que marcaram de forma tão verdadeira e significativa minha vida, não destaco concursos que ganhei, competições e rodeios em que fomos os melhores, porque para mim o que de fato ficou, de forma prática, foram as habilidades que desenvolvi e que facilitam minha “vida real” {vida real = vida fora do meio tradicionalista}, as amizades que perduram por tanto tempo, os valores que me fazem lembrar diariamente que a simplicidade do homem do campo tem muito mais força do que as aparências complexas que no mundo moderno tendemos a querer criar.

Talvez se voltássemos nosso olhar ao potencial que o meio tradicionalista do Rio Grande do Sul tem para capacitar pessoas, contribuindo economicamente, educacionalmente e socialmente não só ao nosso estado, mas ao mundo, teríamos uma compreensão mais adequada de nossa cultura além das fronteiras de Centro de Tradições.

Encerro esse breve texto com a citação de Barbosa Lessa, que já nos anos 50 atentava pelo propósito do tradicionalismo em sua tese O Sentido e o Valor do Tradicionalismo {o negrito é por minha conta}:

“O Tradicionalismo consiste numa EXPERIÊNCIA do povo rio-grandense, no sentido de auxiliar as forças que pugnam pelo melhor funcionamento da engrenagem da sociedade. Como toda experiência social, não proporciona efeitos imediatamente perceptíveis. O transcurso do tempo é que virá dizer do acerto ou não desta campanha cultural. De qualquer forma, as gerações do futuro é que poderão indicar, com intensidade, os efeitos desta nossa – por enquanto – pálida experiência. E ao dizermos isso, estamos acentuando o erro daqueles que acreditam ser o Tradicionalismo uma tentativa estéril de “retorno ao passado”. A realidade é justamente o oposto: o Tradicionalismo constrói para o futuro.

Trabalho artesanal: uma sapataria ou uma fábrica de sapatos

Hoje o dia foi intenso. Apresentei no Encontro de Negócios da Microempa (Associação das Empresas de Pequeno Porte do Nordeste do RS) um pouco sobre o meu trabalho a frente de um negócio criativo e artesanal.

Venho trabalhando há algum tempo para um despertar da valorização do ofício artesanal, querendo motivar um novo olhar sobre o potencial econômico, artístico, cultural e até turístico que o artesanato pode desenvolver.

Entre conversas e contatos, encontrei na Microempa um campo fértil para se disseminar ideias e tenho recebido apoio e incentivo a essa proposta como jamais imaginei receber de uma entidade empresarial.

O Encontro com Negócios é a nova versão do Café com Negócios que a entidade promove há bastante tempo. É um evento de network, troca de informações, contatos e experiências no intuito de gerar negócios. Toda edição tem uma empresa patrocinadora do Café, que adquire o espaço de 25 minutos para uma explanação mais detalhada de seu projeto antes das apresentações de todas as empresas em formato de rodada de negócio (1 minuto cronometrado para cada pessoa falar).

Quando a gente descobre nossa missão/vocação/destino/propósito/causa {ou seja lá o nome que você acredita} o Universo conspira a favor. Eis que eu fui contemplada com esse espaço em um sorteio realizado entre os participantes que mais compareceram nas edições de 2016. É ou não é uma sorte grande?

2017 começou então me desafiando a {mais do que tirar meu amor pelos bordados do campo das ideias} concretizar Um Pontinho – Bordados feitos a mão como um negócio. Ter uma empresa não é algo fácil {embora iniciar uma atividade com CNPJ tenha sido facilitada através da possibilidade de abertura de MEI}. Mais do que ter ideias e ideais transformados em produtos, uma empresa responsável deve ter um processo que a torne rentável, seja para reinvestir nela própria, em projetos, etc, seja pelo menos para custear a vida de quem se dedica a ela.

Montar a apresentação do Encontro de Negócios me fez refletir muito sobre isso, o que me forçou a pensar no meu trabalho de forma estratégica, porque quando alguém me pergunta o que eu vendo, eu tenho que saber o que responder. O bordado tem infinitas possibilidades de aplicação:

  • Desde a toalhinha de boca do bebê.

 

  • Até braceletes em metal:

 

O fato é que quando trabalhamos com algo artesanal é possível personalizar cada peça, planejar cada detalhe de cada encomenda e isso requer criatividade e principalmente TEMPO. A produtividade vem sendo perseguida pelo homem há bastante tempo, e a indústria ensina ao longo do tempo que processos otimizados e padronizados aumentam a capacidade de produção.

Usando uma referência de Andy Grove, a diferença entre uma fábrica de sapatos e uma sapataria, é que a última está preparada para servir qualquer cliente que entrar na loja, executando os trabalhos na ordem de chegada (built-to-order), enquanto a primeira funciona na base da previsão da demanda (built-to-forecast).

Prever uma demanda requer planejamento e conhecimento de produtos e clientes. Organizar antecipadamente a produção em uma série de ações padronizadas facilita a rotina e peças começam a “nascer” de forma ritmada, consequentemente há maior possibilidade de vendas e faturamento. Mas será que trabalhar dessa forma não perde o sentido do feito a mão? Até que ponto o exclusivíssimo do artesanal é importante?

Tenho pensado muito sobre isso, e confesso que a alternativa de trabalhar de forma automatizada me incomoda. Gosto de enaltecer o humano característico de cada peça de artesanato. Mesmo as imperfeições fazem sentido para mim {uma vez me incomodavam}. Mas ao mesmo tempo acredito que um negócio que não se sustente ou não gere valor aos envolvidos {inclusive valor financeiro} é inviável.

Estou ainda organizando esse novo momento que se apresenta, mas sei que algumas coisas já mudaram em minha rotina para que minha produtividade aumente. Para que a essência do artesanal não se perca e o negócio seja rentável e viável, acredito que uma mescla de sapataria e fábrica de sapatos será a solução. Encontrar esse equilíbrio, na minha opinião, será possível apenas se colocar em prática, testar, analisar e corrigir para então começar tudo de novo.

Bordadeiras que Inspiram #1

Eu gosto de ler, de assistir, de acompanhar, de compartilhar com gente que faz o que eu faço. Gosto de aprender, de contrapôr, de me inspirar ou talvez não concordar, mas conhecer opiniões diferentes. Sem a menor dúvida conhecer o Clube do Bordado foi um grande marco em minha vida bordadeira.

Eu bordo desde pequena, mas aos poucos a vida e o trabalho foram empurrando essa minha paixão para “quando sobrava um tempinho” {e nunca sobra, não é mesmo?}. Como trabalho há bastante tempo com educação corporativa, estou o tempo todo ligada a termos corporativos, que muitas vezes deixam de lado o CPF que está por trás do CNPJ. Eu gosto {gosto não, amo} a ideia da busca por soluções dentro das empresas, dentro dos processos, na busca por produtos melhores, mas certamente isso somente será possível através das pessoas e se fizer sentido para as pessoas. Eu não conseguia encontrar uma conexão entre o meu trabalho e minhas habilidades manuais. Até que em 2015 conheci o trabalho desse Coletivo lindo. Seis jovens {e isso me chamou muito a atenção}, com trabalhos modernos, com visões modernas, com linguagem moderna, usando o bordado livre como forma de expressão e incentivando o empoderamento feminino.

Seis amigas, que se reuniam para bordar, e que encontraram nessa roda de conversas e pontos, sentido e propósito que precisavam compartilhar com o mundo. Gosto da ideia que elas frisam sempre de respeito pela diferença de cada uma, da abordagem de temas atuais através de pontos tradicionais, das possibilidades que o bordado oferece como terapia, da conexão que tantas mulheres tem com o bordado ao redor do mundo.

 

Gosto de como encontram a beleza no dia-a-dia…

Domingo, pão e bordado {sunday, bread and embroidery} #clubedobordado

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Gosto de como retratam a força com tanta delicadeza…

 

Gosto da simetria dos pontos {mas também da assimetria quando necessário}, gosto de dizerem tanto sem necessariamente precisar falar algo…

*english below* Um doce, um domingo e um bordado 🍩 {one sweet, on a Sunday with embroidery} #clubedobordado

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Me identifico com o trabalho dessas gurias por inúmeras razões, mas talvez a mais forte delas seja justamente o fato de usarem pontos de bordado como forma de expressão da alma, dos pensamentos, dos sentimentos mais pessoais que brotam em nossa alma, características tão femininas, tão humanas, tão minhas, tão nossas.

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