3 dicas para empreender como artesão profissional do jeito certo

 

Empreender é um verbo que tem sido muito utilizado nos últimos tempos. Para muitos o empreendedorismo torna-se algo natural, a partir de uma necessidade latente de crescimento de seu trabalho. Para outros, no entanto, passa a ser uma alternativa para a falta de oportunidade no mercado de trabalho {desemprego mesmo}.

Fomos {e ainda somos} educados a acreditar que um salário no quinto dia útil, as reservas de dinheiro que todo empregador é obrigado a recolher mensalmente e mais nossa contribuição ao INSS seria suficiente para garantir futuros imprevistos ou uma aposentadoria após um longo tempo de dedicação {ou troca de tempo por essas “garantias”}. Com essas crenças limitantes diversas gerações cresceram, se adequaram a pequenas mudanças nas regras, e continuou acreditando nessa fórmula, mas uma coisa não foi feita: não investiu-se em educação financeira adequada. Não aprendemos a poupar, ao contrário, fomos e somos estimulados a consumir, a comprar, a desejar produtos e serviços, sem muitas vezes de fato precisar. O Brasil está em reset em diversas esferas e a reforma das leis trabalhistas empurra cada vez mais brasileiros a tomar rédeas de seu trabalho e de seus ganhos. Acredito que muitas das mudanças propostas e aprovadas na reforma trabalhista são necessárias, só penso que estão sendo feitas de forma visceral, quase que letal, sem planejamento, sem um plano, sem comum acordo, sem uma explicação. Fazendo “por que tem que fazer, porque não dá mais tempo, porque é assim que tem que ser e fiquem quietos”.

E então nesse cenário de insegurança e incerteza, muita gente habituada há anos com as regras da CLT, está se lançando no oceano do Empreendedorismo. Se libertar de uma realidade relativamente controlada, onde na maioria das vezes você tem horários, rotinas, competências e processos bem definidos para então ter que pensar, planejar e executar ao mesmo tempo tudo isso, não é fácil {experiência própria}. Esse exemplo {quero deixar bem claro} trata-se da grande maioria dos empreendedores do Brasil, são pequenas, micro empresas e MEIs, que movimentam a nossa economia sem nenhum tipo de benefício semelhante aos “presentes” que grandes empresários recebem, como temos visto ultimamente nos noticiários. Endividar-se e levar rasteiras financeiras nessa nova realidade é bem comum aos novos empreendedores, porque é diferente, é uma mudança total de ciclo financeiro quando você deixa para trás a garantia do salário para ter que produzir diariamente o seu lucro. Lucro é outra palavra difícil de ser compreendida, já que muito é confundida com faturamento por esse novo gestor.

E, entre esses tantos empreendedores, encontram-se milhares de artesãos, que com algum tipo de habilidade pessoal, se formaliza como empreendedor mas continua gerindo seu trabalho de forma não muito profissional.

Mas o que é preciso para um artesão profissional conseguir gerir seu trabalho de forma adequada, que o faça gerar lucro e valor através de seu trabalho?

Na minha opinião, são muitos os pontos que devemos investir nossa atenção, mas elenquei 3 para iniciarmos nossa reflexão:

Dando um tempo… 🤗🤗🤗 #umpontinho #ateliedodoce #tempo #bordado #embroidery

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  1. DEFINA SEU HORÁRIO DE TRABALHO

Muitas vezes, o artesão trabalha em sua própria casa e isso é uma cilada para a produtividade. Estando em casa temos as rotinas da casa, temos os habitantes da casa {incluindo cachorros, gatos, filhos…}, temos a geladeira e seus quitutes, temos a televisão, temos o sofá… Tudo que, se não nos disciplinarmos, rouba o nosso tempo e o dia passa rapidinho. No final da tarde você fez um monte de coisas, mas trabalhar e produzir: NÃO. Definir um horário de trabalho significa que você está fazendo um acordo com você e com todos que convivem com você em casa. No horário definido você vai TRABALHAR, não vai assistir televisão, não vai lavar roupa {mesmo que o sol esteja rachando e possa secar a roupa rapidinho}, não vai brincar com os cachorros, não vai entrar nas redes sociais… Você vai produzir. Acredite: seu tempo é seu bem mais precioso {inclusive sob o ponto de vista financeiro}.

2. REGISTRE SEU TRABALHO

Registre em diversas esferas: registre através de fotografias, registre os clientes para quem vendeu, registre os preços que cobrou, registre os investimentos que fez, registre o quanto custa para você fazer o que faz… Crie planilhas no computador com as informações que deseja registrar, faça listas ou escreva em um caderno {bem lindo} onde você facilmente encontrará as informações quando desejar. Se organize, pense e planeje quais informações são vitais para seu trabalho. Isso facilitará suas decisões futuras, você terá base concreta para se guiar, aumentado as chances de decisões acertadas.

3. SEPARE O SEU DINHEIRO PESSOAL DO DINHEIRO DO SUA EMPRESA

Quando a gente administra o dinheiro de nossa empresa é bem comum a gente misturar tudo. Mas o correto é não fazer isso. Se você ler alguns artigos sobre finanças para empreendedores, certamente vai chegar a conclusão de que deve estabelecer um valor mensal como salário para você, e programar seus gastos e investimentos pessoais com esse dinheiro. Porém, não deve inventar um número dos sonhos para ser sua retirada mensal, você precisa estabelecer esse valor baseado em registros.

Responda rapidamente (para você):

  1. Qual seu faturamento mensal dos últimos 3 meses?
  2. Quanto tempo você demora para produzir uma única peça de seu artesanato?
  3. Qual sua capacidade atual de produção?
  4. Você vende tudo o que produz?
  5. (Se a resposta 4 for não} Se vendesse tudo o que produz, qual seria seu faturamento mensal?
  6. (Se a resposta 4 for sim} Como você pode aumentar sua produtividade?
  7. Como você forma seu preço de venda?
  8. Qual sua lucratividade?

Eu poderia fazer uma infinidade de outras perguntas para que pudéssemos refletir sobre nosso trabalho e como administrar de forma mais adequada nossas finanças, enquanto empreendedores e artesãos, mas tenho certeza de que para começarmos a pensar sobre esse assunto, essas 8 questões são um bom início.

O que desejo, verdadeiramente, é que o artesanato possa ser valorizado como trabalho cultural, mas principalmente como gerador de valor e renda, por que essa é a mais verdadeira face de nosso trabalho. Acredito na capacidade do brasileiro de se adaptar as mudanças, de buscar alternativas para não deixar que as coisas fiquem ruins. Nosso trabalho é simples, mas é digno e capaz de criar riqueza de forma mais rápida do que muitas empresas engessadas ou cheias de burocracia. Então, diante de novas necessidades do mercado de trabalho, onde o empreendedorismo tem se apresentado como salvador das contas do mês, trabalhos artesanais podem e devem ser valorizados. Se é para começar, que comecemos da forma certa.

Bordar: um ato revolucionário

“Em 24 de abril de 2013, 1.133 pessoas morreram quando o complexo de fábricas Rana Plaza desabou em Dhaka, Bangladesh. Muitos outros ficaram feridos. Hoje, catástrofes sociais e ambientais continuam acontecendo na indústria da moda, em vários lugares do mundo.
Assim foi criado o Fashion Revolution Day. O dia em que estilistas, celebridades, lojas e marcas de todos os tipos, produtores de algodão, operários, ativistas, ONGs, jornalistas – e qualquer pessoa que se preocupa com o que veste – se reúnem para dizer o mesmo: #quemfezminhasroupas” Esse texto vem de um post do da página no Facebook do Movimento Fashion Revolution Brasil

Esse movimento questiona: onde o consumismo vai nos levar?

Será que o mundo, o Planeta Terra, tem condições de produzir matéria-prima suficiente para atender essa demanda?

Será que o fato de querermos comprar cada vez mais coisas, de preferência bem baratas, não faze com que alguém em algum lugar do mundo pague com sua própria vida?

Você já havia parado para pensar nisso?

Na correria do dia-a-dia, no piloto-automático que nos deixamos entrar, fazemos muitas coisas sem questionar, sem analisar, fazemos porque tem que fazer, porque todo mundo faz. Mas você não é todo mundo, já dizia sua mãe. Pare agora e dá uma olhadinha da etiqueta de sua roupa: de onde ela vem? Possivelmente uma de suas peças de vestimenta tenha um “Made in um lugar distante”. Se tem demanda, alguém vai fazer… Nem que para isso custe vidas, situações degradantes, humilhantes, desumanas. O lucro por si só não se justifica. O lucro deve ser a consequência, não o objetivo final.

Diante desse cenário, desenhar seu próprio vestido, comprar um lindo tecido na loja tradicional da cidade e pedir para a costureira do bairro confecciona-lo pra você passa a ser um ato revolucionário: fomenta a criatividade, movimenta a economia local, valoriza as pessoas que estão perto de você e ainda faz com que {aos poucos} a demanda por peças de baixo custo caia. Gera lucro em diversas esferas. E lucro é bom, não o lucro a qualquer custo, mas o lucro saudável, o lucro construído, que traz junto ao dinheiro o lucro social, o lucro para mais do que uma só parte envolvida.

Bordar também pode ser um ato revolucionário quando você, ao abrir seu armário, encontra aquela camisa que comprou por impulso e nunca usou, faz um belo risco com flores e arabescos e resolve bordar com linhas e miçangas e dar a ela vida útil, sem você precisar novamente recorrer a promoções e fast fashion em tempos de pouca grana.

Para um ato revolucionário, convido você a uma {breve mas cheia de afeto} oficina gratuita de bordado que estarei ministrando, dentro da Semana Fashion Revolution aqui em Caxias do Sul/RS. Leva aquela roupa que você quer dar um up, aumentar a vida útil, começar a usa-la mesmo porque estava entrulhando seu armário ou quem sabe até fazer algo especial para presentear sua mãe {Dia das Mães está logo aí <3}. Vou ensinar 2 diferentes pontos que já lhe farão ter infinitas possibilidades de criação.

Vamos bordar?

 

Podemos bordar a gola de uma camisa, quem sabe? Uma calça jeans, uma blusa, um vestido?

Bom dia! 💛 💙 💜 💚 #umpontinho #dia60 #100diasdebordado #embroidery #bordado #serragaucha

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Oficina GRATUITA de Bordado

Dia 29/04/2017 às 16h

Local: Zero 54 – Rua Augusto Pestana, 154 – Caxias do Sul/RS

O material fica por sua conta, é necessário uma peça de roupa de preferência clara, (que será customizada durante a oficina), linha para bordado, agulha, tesoura e lápis.

Inscrições: clica aqui

VAGAS LIMITADAS

“Toda grande jornada começa com um pequeno passo”. Gosto tanto dessa frase. Vamos dar nosso primeiro passo?

Tradição e bordado

Eu bordo desde pequena. Minha mãe foi quem me ensinou. Não me lembro exatamente quando, nem como foi que aprendi, porque além de bordar, minha mãe me ensinou várias outras técnicas manuais. Mas foi o bordado que me desafiou, me fez querer saber mais, foi com ele que me identifiquei. E foi assim, meio sem querer querendo, que aprendi com minha mãe o que ela possivelmente aprendeu com a mãe dela, que por sua vez, minha avó materna também pode ter aprendido com alguém de sua convivência familiar. Isso é tradição: cultuar coisas boas do passado, sem regras institucionais, com adequações a cada ser, com adaptações dos tempos, passando de geração a geração.

Dos bordadinhos da infância, quando fazia meio que por brincadeira mesmo, até os tempos atuais, onde bordar se tornou um ofício para mim, tive a partir da infância uma vivência que reforçou ainda mais minha vontade de querer desenvolver essa habilidade: ingressar no meio tradicionalista do Rio Grande do Sul.

Nos anos 80, a convite de amigos, meu pai me inscreveu para começar a aprender as danças tradicionais do Rio Grande do Sul. Ensaiávamos em uma garagem {pequenina hoje, mas que na época parecia enorme}. Eu, sem saber exatamente o que aquilo significava {ou significaria} para mim, curtia mesmo eram as coreografias, os amigos, as  brincadeiras com tantas crianças diferentes. Em seguida, começaram as viagens a rodeios, aí todas as crianças queriam comprar o mesmo brinquedo, a gente gostava de ir nos parquinhos {com aqueles brinquedos enferrujados, mas tão “legais”} que todo rodeio tinha. Na hora de se arrumar para a apresentação, estávamos prontos, cumpríamos nosso dever, mas depois a gente queria era “zuar”. E assim, com o tempo, fui aprendendo que o mundo das tradições gaúchas era muito divertido, cheio de alegria e amizade, mas ao mesmo tempo fui compreendendo que cada coisa tinha um significado, um porquê, uma explicação.

Ainda pequena comecei a estudar para concursos de primeira prenda. Mais decorando informações  e conceitos do que propriamente compreendendo, percebi que aquilo me ajudava a ir bem na escola. Os assuntos que estudávamos nos encontros de prendas, eram as matérias que aprendia nas aulas da 4ª série {5º ano do ensino fundamental hoje – não sei se as matérias estudadas ainda são as mesmas}. Muitas vezes quando a professora explicava, eu já sabia todo o conteúdo por ter lido e relido sobre geografia, história e folclore do Rio Grande do Sul junto com outras prendas nos encontros preparatórios. A autoestima ficava lá em cima. Além de uma prova escrita,  para esse tipo de competição, era importante demonstrar habilidades artísticas {saber cantar, dançar, declamar tocar um instrumento – eu sempre dançava}, habilidades comportamentais {desenvoltura para falar em público, conversar com as pessoas, pensamentos coerentes – nos fazia treinar na frente do espelho} e também saber fazer alguma demonstração de “dotes domésticos” – não era esse o nome, mas na verdade compreendia algo assim do “universo feminino” #sqn {artesanato, culinária e mais alguma outra coisa que não lembro exatamente. Foi nesse momento que consegui reforçar ainda mais o quanto bordar me fazia bem e também impressionava as pessoas. Não somente pelo fato de uma criança fazer um trabalho “tão antigo”, mas também por começar a compreender que quanto mais eu fazia, melhor ia ficando.

 

  • Um de meus primeiros bordados – ainda na infância {a influência da cultura gaúcha, sempre me fez gostar de ilustrações, fotos e imagens de bonecas, mulheres, meninas com vestidos rodados}:

 

 

Com o passar do tempo, ainda no meio gauchesco, consegui encontrar sentido e significado em outras diversas vivências, mas certamente as da infância me marcaram de forma tão positiva que me fazem ter a certeza de que se hoje faço do bordado um trabalho tão cheio de amor, de dedicação e de propósito, sendo uma de minhas fontes de renda, foi com o reforço e estímulo que encontrei dentro de um CTG {Centro de Tradições Gaúchas}.

 

  • Um de meus mais recentes bordados – faixa com monograma, do trajar tradicional masculino :

 

Perceba que de tantas coisas que relato a respeito desse pequeno pedaço de  minha experiência no meio tradicionalista gaúcho, e que marcaram de forma tão verdadeira e significativa minha vida, não destaco concursos que ganhei, competições e rodeios em que fomos os melhores, porque para mim o que de fato ficou, de forma prática, foram as habilidades que desenvolvi e que facilitam minha “vida real” {vida real = vida fora do meio tradicionalista}, as amizades que perduram por tanto tempo, os valores que me fazem lembrar diariamente que a simplicidade do homem do campo tem muito mais força do que as aparências complexas que no mundo moderno tendemos a querer criar.

Talvez se voltássemos nosso olhar ao potencial que o meio tradicionalista do Rio Grande do Sul tem para capacitar pessoas, contribuindo economicamente, educacionalmente e socialmente não só ao nosso estado, mas ao mundo, teríamos uma compreensão mais adequada de nossa cultura além das fronteiras de Centro de Tradições.

Encerro esse breve texto com a citação de Barbosa Lessa, que já nos anos 50 atentava pelo propósito do tradicionalismo em sua tese O Sentido e o Valor do Tradicionalismo {o negrito é por minha conta}:

“O Tradicionalismo consiste numa EXPERIÊNCIA do povo rio-grandense, no sentido de auxiliar as forças que pugnam pelo melhor funcionamento da engrenagem da sociedade. Como toda experiência social, não proporciona efeitos imediatamente perceptíveis. O transcurso do tempo é que virá dizer do acerto ou não desta campanha cultural. De qualquer forma, as gerações do futuro é que poderão indicar, com intensidade, os efeitos desta nossa – por enquanto – pálida experiência. E ao dizermos isso, estamos acentuando o erro daqueles que acreditam ser o Tradicionalismo uma tentativa estéril de “retorno ao passado”. A realidade é justamente o oposto: o Tradicionalismo constrói para o futuro.

Trabalho artesanal: uma sapataria ou uma fábrica de sapatos

Hoje o dia foi intenso. Apresentei no Encontro de Negócios da Microempa (Associação das Empresas de Pequeno Porte do Nordeste do RS) um pouco sobre o meu trabalho a frente de um negócio criativo e artesanal.

Venho trabalhando há algum tempo para um despertar da valorização do ofício artesanal, querendo motivar um novo olhar sobre o potencial econômico, artístico, cultural e até turístico que o artesanato pode desenvolver.

Entre conversas e contatos, encontrei na Microempa um campo fértil para se disseminar ideias e tenho recebido apoio e incentivo a essa proposta como jamais imaginei receber de uma entidade empresarial.

O Encontro com Negócios é a nova versão do Café com Negócios que a entidade promove há bastante tempo. É um evento de network, troca de informações, contatos e experiências no intuito de gerar negócios. Toda edição tem uma empresa patrocinadora do Café, que adquire o espaço de 25 minutos para uma explanação mais detalhada de seu projeto antes das apresentações de todas as empresas em formato de rodada de negócio (1 minuto cronometrado para cada pessoa falar).

Quando a gente descobre nossa missão/vocação/destino/propósito/causa {ou seja lá o nome que você acredita} o Universo conspira a favor. Eis que eu fui contemplada com esse espaço em um sorteio realizado entre os participantes que mais compareceram nas edições de 2016. É ou não é uma sorte grande?

2017 começou então me desafiando a {mais do que tirar meu amor pelos bordados do campo das ideias} concretizar Um Pontinho – Bordados feitos a mão como um negócio. Ter uma empresa não é algo fácil {embora iniciar uma atividade com CNPJ tenha sido facilitada através da possibilidade de abertura de MEI}. Mais do que ter ideias e ideais transformados em produtos, uma empresa responsável deve ter um processo que a torne rentável, seja para reinvestir nela própria, em projetos, etc, seja pelo menos para custear a vida de quem se dedica a ela.

Montar a apresentação do Encontro de Negócios me fez refletir muito sobre isso, o que me forçou a pensar no meu trabalho de forma estratégica, porque quando alguém me pergunta o que eu vendo, eu tenho que saber o que responder. O bordado tem infinitas possibilidades de aplicação:

  • Desde a toalhinha de boca do bebê.

 

  • Até braceletes em metal:

 

O fato é que quando trabalhamos com algo artesanal é possível personalizar cada peça, planejar cada detalhe de cada encomenda e isso requer criatividade e principalmente TEMPO. A produtividade vem sendo perseguida pelo homem há bastante tempo, e a indústria ensina ao longo do tempo que processos otimizados e padronizados aumentam a capacidade de produção.

Usando uma referência de Andy Grove, a diferença entre uma fábrica de sapatos e uma sapataria, é que a última está preparada para servir qualquer cliente que entrar na loja, executando os trabalhos na ordem de chegada (built-to-order), enquanto a primeira funciona na base da previsão da demanda (built-to-forecast).

Prever uma demanda requer planejamento e conhecimento de produtos e clientes. Organizar antecipadamente a produção em uma série de ações padronizadas facilita a rotina e peças começam a “nascer” de forma ritmada, consequentemente há maior possibilidade de vendas e faturamento. Mas será que trabalhar dessa forma não perde o sentido do feito a mão? Até que ponto o exclusivíssimo do artesanal é importante?

Tenho pensado muito sobre isso, e confesso que a alternativa de trabalhar de forma automatizada me incomoda. Gosto de enaltecer o humano característico de cada peça de artesanato. Mesmo as imperfeições fazem sentido para mim {uma vez me incomodavam}. Mas ao mesmo tempo acredito que um negócio que não se sustente ou não gere valor aos envolvidos {inclusive valor financeiro} é inviável.

Estou ainda organizando esse novo momento que se apresenta, mas sei que algumas coisas já mudaram em minha rotina para que minha produtividade aumente. Para que a essência do artesanal não se perca e o negócio seja rentável e viável, acredito que uma mescla de sapataria e fábrica de sapatos será a solução. Encontrar esse equilíbrio, na minha opinião, será possível apenas se colocar em prática, testar, analisar e corrigir para então começar tudo de novo.